quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Armamentos: Metralhadora INA (1950)


A história da Indústria Nacional de Armas é no mínimo bem colorida, e começa longe do Brasil no início da Segunda Guerra Mundial, quando os alemães invadiram a Dinamarca. Nesta oportunidade lá estava, em missão técnica, um oficial do nosso Exército: Plínio Paes Barreto Cardoso. Os dinamarqueses confiaram a ele alguns projetos de armas (inclusive o de uma metralhadora leve), que são trazidos por ele ao Brasil, para longe das mãos dos nazistas. Finda a Guerra, restituídos os projetos, o Dansk Industri Syndikat cede por gratidão os direitos da submetralhadora Madsen modelo 1946. Assim em 1949, presidida pelo então General R-1 Plínio Paes, é fundada a Indústria Nacional de Armas - INA, no bairro de Utinga, na cidade de Santo André, Estado de São Paulo.

A sub-metralhadora INA, em calibre .45ACP, adotada pelo Exército Brasileiro, com sua coronha articulada na posição aberta (foto: Manual de Operação EB-1956)
O carro chefe de sua produção sempre foi a submetralhadora M1950 (uma modificação da já citada Madsen M1946, sendo as diferenças principais da original dinamarquesa a mudança do calibre, de 9 mm Luger para o 45 ACP, embora isso não fosse propriamente um problema, pois dizem que a própria Madsen fez protótipos nesse calibre. Além disso, a alavanca de manejo foi transferida da parte de cima da culatra para a lateral direita. Posteriormente surge o modelo 53, com o alojamento do carregador mais longo e reforçado. Estas armas foram padrão, por longos anos, no Exército (de 1950 a 1972) e nas polícias brasileiras. A sub-metralhadora INA possuía uma cadência de cerca de 600 tiros por minuto, não tinha dispositivo de tiro seletivo e funcionava com o princípio de ferrolho (culatra) aberto (embora a sua relativamente baixa cadência de tiro permitisse que um atirador, com certo treino, desse rajadas curtas; bastava para isso ter alguma intimidade com o gatilho da arma).
A arma também não permitia o disparo com uma só mão: uma tecla de segurança, posicionada junto ao retém do carregador, tinha que ser pressionada com a outra mão, obrigatoriamente, para que a arma disparasse. O peso da arma era de 3,400 Kg, comprimento total de 74,9 mm e comprimento de cano de 214 mm.
Ainda deve-se ressaltar que esta submetralhadora granjeou uma fama, digamos que injusta, entre os seus usuários, de ser pouco confiável em ação, pois em seu uso ocorriam muitas falhas de tiro (negas), chegando ao ponto de que as iniciais do fabricante (I.N.A.) se tornaram uma cruel alcunha: "Isto Não Atira". Verdade seja dita, a culpa era da munição .45 ACP nacional, de baixa qualidade, munição esta que inclusive acompanhou a arma quando da sua entrega às forças policiais, piorando assim a fama da arma, devido à idade dos componentes dos cartuchos.

História e Imagem: Caixa de Emergência(antigo 190)

Esta é uma das "caixas de emergência", meio de comunicação com a Central de Polícia(Pátio de Colégio). Foram utilizados ao longo das décadas de 1910 à 1940.



O modelo da foto(Posto 52) ficava no bairro da Consolação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

História: Criação da Corregedoria da PM

FATOS QUE ANTECEDERAM A CRIAÇÃO DA CORREGEDORIA DA POLÍCIA MILITAR

A Situação da Força Pública do Estado de São Paulo em 1947 e a greve da Light.

No ano de 1947 a Força Pública era uma organização Militar típica, com formação Militar e missões Militares, permanecendo aquartelada e somente atuando em casos de repressão a perturbações da ordem pública, por determinação do Chefe do poder executivo Estadual. A única exceção eram os municípios do interior do Estado, onde a Força Pública executava o Policiamento Ostensivo Preventivo Uniformizado. Na Capital tal atividade era executada pela Guarda Civil. Neste mesmo ano de 1947 houve uma greve dos funcionários da companhia elétrica, a então "Light", sendo que de tal greve aconteceram graves distúrbios internos na capital do Estado, o que forçou o Governador à época, o Sr. Adhemar de Barros, a convocar a Força Pública, até então aquartelada, a agir na repressão aos grevistas e manifestantes, além de auxiliar a Guarda Civil na atividade do Policiamento Ostensivo Preventivo Uniformizado. Após o término da greve, a Força Pública permaneceu auxiliando a Guarda Civil na execução do Policiamento Ostensivo Preventivo Uniformizado, mas havia um problema a solucionar. Qual seria a área de competência da Força Pública e da Guarda Civil? Para solucionar o problema das áreas de atuação da Força Pública e da Guarda Civil, o território da cidade de São Paulo foi dividido pelas duas Corporações por meio de uma linha imaginária que seria equivalente ao paralelo 38 do sistema de coordenadas terrestres. Assim a cidade de São Paulo ficou dividida em duas subregiões, uma de competência de Policiamento da Força Pública e outra de competência da Guarda Civil. Cabia à Força Pública o Policiamento das zonas Leste e Norte da cidade enquanto que à Guarda Civil coube o Policiamento das zonas Sul, Oeste e Centro. Durante os quase três primeiros anos, após 1947, em que a Força Pública exerceu a atividade de Policiamento na cidade de São Paulo, ocorreram diversos incidentes entre o efetivo da Força Pública e o efetivo da Guarda Civil. Acompanhando estes incidentes houve um rápido crescimento do efetivo da Força Pública, a fim de suprir a demanda de Policiamento das áreas em que ela atuava. Demanda esta decorrente do crescimento populacional da cidade e aumento nos índices de criminalidade, tanto externa quanto interna à Corporação. Os aumentos de efetivo, os parcos vencimentos, o despreparo profissional, a falta de motivação para a função de policiamento, a falta de comprometimento dos integrantes dos seus quadros com a instituição, a ineficiência da fiscalização ao subordinado, o exercício de atividades remuneradas extra-corporação, a instabilidade social e fragilização de seus valores morais, entre outros, foram considerados como fatores geradores de tal situação. Destes fatores, entre outros, houve um aumento considerável da indisciplina no seio da tropa da Força Pública. Muitos estudos foram feitos e um deles concluía, a moldes de outras organizações, pela necessidade de uma tropa que protegesse a Corporação, agindo sobre seus integrantes que cometiam delitos ou desrespeitavam os regulamentos fora de seus aquartelamentos. Nessa época pensou-se em DPSSE - DEPARTAMENTO POLICIAL DE SERVIÇOS SIGILOSOS E ESPECIAIS, cujos componentes agiriam fardados ou à paisana, cabendo-lhes os serviços de policiamento de caráter sigiloso e investigações em casos especiais de faltas cometidas por elementos da FORÇA PÚBLICA. Ciente de sua responsabilidade perante uma comunidade tão numerosa e tão importante como é a paulista, o Comandante Geral da FORÇA PÚBLICA, na época, Cel Eleuterio Brun Ferlich, resolveu criar uma força de elite, capaz de impor disciplina e fiscalizar os homens fora de seus aquartelamentos. Em 1950, pelo Boletim Geral nº 182 de 16 de agosto, foi criada a DPM - DELEGACIA DE POLÍCIA MILITAR, subordinada diretamente ao Comando Geral e sediada na Av. Tiradentes nº 1088, sendo designado para organizá-la e desempenhar as funções de Delegado Policial Militar o Major JOSÉ JOÃO BATAL então Subcomandante do 6º BC, auxiliado pelo então 2º Tenente THEODORO CABETTE que em 1972 viria a ser o Comandante Geral. À Delegacia de Policia Militar estavam atribuídas as seguintes missões: Instaurar Sindicâncias; Proceder Investigações; Estabelecer policiamento preventivo e repressivo e cooperar na fiscalização da disciplina, fora dos corpos, serviços e estabelecimentos; Guarda do Quartel General; e Outras que fossem determinadas pelo Comando Geral.

fonte: http://www.polmil.sp.gov.br

Imagens: PTM (Patrulhamento Tático Móvel)

Imagens: Antiga ROCAM (lambretas)

Imagens: Patrulhamento

Imagens: Posto de Informações

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Origens da Milícia Bandeirante

O Brasil enfrentava, em 1831, vários problemas políticos. Solução: mais policiamento nas ruas. Quando, a 5 de julho daquele ano, o padre Diogo Antonio Feijó assumiu o Ministério da Justiça, havia de um lado os liberais que clamavam pela República e os restauradores, partidários da volta do Brasil à coroa de Portugal. Nos quartéis, campeavam motins. Diante da situação, o novo ministro resolveu criar a Guarda Municipal Permanente, uma polícia uniformizada e militarizada. Na mesma ocasião, foi também dada autorização às províncias para que criassem corporações semelhantes.

Em São Paulo, o presidente da província, Rafael Tobias de Aguiar, instituiu a Guarda Municipal Permanente em 15 de dezembro de 1831, do que surgiria a atual Polícia Militar. Chamada posteriormente de Corpo Policial Permanente, a nova corporação compunha-se de duas companhias de infantaria e uma seção de cavalaria. Em 1848, um regulamento estende as atividades do Corpo Policial para outras cidades, com a sua presença, em 1864, já em 50 municípios, além da Capital

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Hinos e Brados: Hino-Marcha da Força Pública


"Para a frente! Paulistas!...Cantando a marchar e marchar cantando:O Hino-Marcha do Sargento B. João Pedroso da Força Pública do Estado de São Paulo"


A tradicional Força Pública do Estado, proveniente da Guarda Municipal Permanente (1831) e do Corpo Policial Permanente, foi assim denominada por lei de 24 de novembro de 1891. A participação da Banda da Força Pública nas datas comemorativas da cidade e do Estado sempre foi relevante.
Laura Della Mônica, que se dedicou à história dessa instituição, assim se refere à participação da banda na Revolução:
"1932: São Paulo, pela sua Força Pública, com o apoio da 2a. Região Militar e de toda a população do Estado, levanta-se contra o Chefe do Governo Provisório. A Banda de Música também engajou-se no movimento. Acompanhava, diariamente, as unidades regulares ou voluntários que partiam para as frentes de combate dos seus aquartelamentos até as estações ferroviárias, cadenciando-lhes o passo com marchas e canções vibrantes. Durante os três meses de campanha, os instrumentos ficaram mudos, para concertos." (História da Banda de Música da Polícia Militar do Estado de São Paulo, 2a. ed., São Paulo, 1975, pág. 74)
Publicado pela Edição Triângulo (Irmãos Vitale, Cat. 2.015), o "Hymno-Marcha: Para a frente! Paulistas!..." do Sargento B. João Pedroso, da Força Pública do Estado de São Paulo, é, sem dúvida, uma das peças do hinário paulista de maior efeito. Uma de suas principais características é a imitação de tambor que antecede a entrada do canto e que é retomada, por este, no intermédio da peça e no seu final:
"Rataplan, Rataplan, Rataplan, Faz o tambor, Rataplan, Rataplan, Rataplan, Com mais vigor São Paulo!". O compasso 6/8, ao contrário da maioria dos hinos de São Paulo, empresta à peça um caráter por assim dizer amável e convidativo, amenizando o imperativo do texto: "Para frente Paulistas, / valorosos Bandeirantes, / Que dos tempos passados, tem conquistas / E feitos brilhantes / Marchemos, altaneiros, / Sempre a cantar, com fé / Mirando sonhos fagueiros / Cantando a marchar / Para frente avançando / Oh Emulos de heroes, / Sempre cantando, com ardor / Um ponto marcando, / Em Nossa História, / Marchemos contentes, com valor."
A capa, nas cores nacionais, trazendo o retrato do compositor, é ilustrada com uma bandeira de 9 faixas (5 pretas e 4 brancas), em lugar das atuais 13, tendo no retângulo superior esquerdo, branco, não em círculo, mapa irreconhecível ladeado por quatro estrelas. Essa representação da bandeira paulista é de interesse para o estudo do repertório simbólico do Estado, pois denota não estar ainda totalmente fixa nas suas características. Recorde-se que a bandeira de São Paulo, concebida pelo republicano Júlio Ribeiro (1845-1890), foi projetada para ser a bandeira do Brasil. Sendo usada como bandeira escolar em São Paulo, foi "na fase pouco anterior ao Movimento Constitucionalista de 32, durante e após esse período agitado (...) que acabou cristalizando-se como autêntico símbolo da terra e do povo paulista, batizada pelo consenso geral e crismada no fragor das atividades bélicas que marcaram quase todas as fronteiras bandeirantes, por essa ocasião" (Hilton Federici, Símbolos Paulistas: Estudo Histórico-Heráldico, São Paulo, 1980, 25-26). O Hino-Marcha foi gravado em disco (Arte Phone N. 4111).

domingo, 13 de setembro de 2009

GALERIA HERÓIS: ALBERTO MENDES JÚNIOR


Cabe lembrar que o herói-símbolo desta Instituição é o Capitão PM Alberto Mendes Júnior, que, diante do nefasto, não titubeou em dar a sua vida para proteger a sua tropa. Perfilados diante da dignidade, nós, Policiais Militares do Estado de São Paulo, saímos fortalecidos do episódio e gratos a todos os que, sensivelmente, reconhecem que aqueles que juraram, e cumprem diariamente esse juramento, de doar a própria vida em prol da sociedade que servem, merecem o respeito e o prestígio que se reserva aos heróis.

RAFAEL TOBIAS DE AGUIAR (1794-1857)


Filho de Antônio Francisco de Aguiar e de Gertrudes Eufrosina Aires, nasceu numa família de fazendeiros, e iniciou seus estudos em São Paulo.
Entrou na vida pública em
1821, representante da comarca de Itu para a escolha dos deputados brasileiros às Cortes Gerais e Constituintes de Lisboa. Um dos líderes liberais da primeira metade do século XIX, elegeu-se conselheiro do governo provincial em 1827 e deputado provincial e geral em numerosas legislaturas, até ser escolhido presidente da Província de São Paulo por duas vezes, de 17 de novembro de 1831 a 11 de maio de 1835 e de 6 de agosto de 1840 a 15 de julho de 1841. Entre seus amigos figurava outro liberal famoso, o Padre Diogo Antônio Feijó, de quem foi colega de escola.
Em virtude de sua administração, quando aplicou até mesmo seu salário em escolas, obras públicas e de caridade, recebeu o posto de Brigadeiro Honorário do império.

Em
1842, comandou a Revolução Liberal juntamente com o padre Diogo Antônio Feijó para combater a ascensão dos conservadores durante o início do reinado de Dom Pedro II.
Em 17 de maio de 1842, é proclamado pelos rebeldes presidente interino em
Sorocaba, que foi declarada capital provisória da Província pelos revolucionários. Foi ele quem se encarregou de reunir a chamada Coluna Libertadora, com 1.500 homens, com a qual tentou invadir São Paulo para depor o presidente da Província, o Barão de Monte Alegre.
Antes da batalha, casou-se com Domitila de Castro Canto e Melo, a
marquesa de Santos, ex-amante de Dom Pedro I e com quem já tinha seis filhos.
Foi derrotado pelas forças imperiais e tentou a fuga para o
Rio Grande do Sul, para juntar-se ao rebelados da Guerra dos Farrapos, mas foi preso em Palmeira das Missões e levado para a Fortaleza da Laje, no Rio de Janeiro. Foi anistiado e saiu da prisão em 1844, retornou a São Paulo, onde foi recebido perto da capital por uma grande massa popular.

Atualmente é considerado o patrono da Polícia Militar de São Paulo e seu nome figura no 1º Batalhão de Polícia de Choque - "Tobias de Aguiar", unidade de elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo sendo o batalhão mais conhecido pela sua modalidade de patrulhamento tático, a famosa "ROTA" (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).